David J. Phillips

Autodenominação: Significa 'o povo do centro' (Sulkin 2012.4). O 'centro' indicava o centro do mundo, mas hoje em dia não tem um significação territorial, e sim um sentido segredo. Hoje se chamam 'gente de ambil', povo da pasta do tabaco (Echeverri 1997.29,32).

Outros Nomes: Uitoto, Huitoto (DAI/AMTB 2010). Os Bora, Murui Huitoto e os Muinane Huitoto-Nüpode são divisões do povo Witoto (Uitoto) (veja perfis separados).

População: Brasil: 42, Colômbia: 5.939, Peru: 2.775 (DAI/AMTB 2010).

Brasil: 44 (FUNASA 2101), Colômbia: 5.939 (1988), Peru: 1.864 (INEI 2007).

Localização: Amazonas, Brasil, Colômbia e Peru.

Brasil: Terra Indígena Barreira da Missão, na margem direita do rio Solimões rio abaixo de Tefé, de 1.772 ha, biomas Amazônia, homologada e registrada no CRI na SPI, com 788 indígenas de cinco etnias, inclusive os Witoto (FUNAI 2011).

T. I. Méria, a oeste de cidade de Alvarães na margem direita do rio Solimões, 585 ha, homologada e registrada no CRI e a SPU, com 68 indígenas (FUNAI 2011).

T. I. Miratu, na margem direita do rio Solimões, perto da cidade de Uarini, homologada e registrada no CRI e na SPU, com 126 indígenas (FUNAI 2011).

Colômbia: Vivem no médio rios Caquetá e Putumayo, e os rios Cahuinarí e Igaraparaná, nos departimentos de Caquetá, Putumayo e Amazonas (Sulkin 2012.4).

Língua: Witoto é falada por 4.500-5.300 que vivem no rios Orteguaza e Caquetá e no rio Putumayo e seus afluentes, os Cara-Paraná e Igara-Paraná. Os Murui e os Muinane falam dialetos diferentes. Os Bora, população 1.640) e os Miraña (300) falam línguas do grupo Witoto e vivem no rio Caquetá. Os Ocaina e Nanuya falam também línguas da família Witoto.

História: Os povos do grupo Witoto viviam nas floresta interfluviais, mas muitos deles eram levados com escravos para Brasil durante o século XVII. Em 1605 o padre Ferrer visitou o rio Putumayo, mas os Huitoto ou Witoto eram conhecidos por nome somente em 1695. Havia 23.000 no século XIX, e no início do século XX os Witoto tinham uma população de 50.000, porém a invasão dos seringueiros no fim do século e no princípio do século XX matou muitos e outros morreram devido às doenças introduzidas. Durante o cíclico da borracha a população foi dizimada para entre 7.000 e 10.000. Os sobreviventes fugiram para as florestas interfluviais. A Casa Arana ou Peruvian Amazon Company do Julio César Arana del Águila era responsável pelo sofrimento dos índios.

O Tratado de Salomón Lozano, assinado em 1922 por a Colômbia e o Peru, demarcou a fronteira na Amazônia entre os dois países, não satisfaz elementos no Peru e rebelaram e tomaram conta de Iquitos. O exército peruviano ocuparam território colombiano no rio Putumayo em 1932. Este conflito entre 1932-1933 envolveu forças navais nos rios e aviões e causou os Witoto a transferir da Colômbia para o Peru. Depois da guerra os Witoto se espalharam e ficaram distantes uns aos outros, especialmente com a queda do poder dos seringalistas. A seringa era de qualidade inferior, siringa fraca ou jebe débil, e tinha um preço mais baixo no mercado. Os capuchinos estabeleceram uma missão em Chorrera, Colômbia nos anos 1940, e tentaram destruir a cultura por separa as crianças em três internatos.

Os Witoto em total têm uma população de acerca 8.500. Os Witoto próprios falam a língua Witoto com 4.500 a 5.300 indivíduos e vivem nos rios Orteguaza, Caquetá e nos Cara-Paraná e Igara-Paraná, afluentes do rio Putumayo. Na década 1990 a ameaça do avanço de fazendas de gado e agricultura com a destruição da floresta e polução dos rios, causou os Witoto para se organizar e reivindicar seu território. O governo Colombiano já demarcou reservas para os Witoto.

Estilo da Vida: As casas são comunais, de forma octogonal e cobertura cônica, com a entrada dando para o leste. As coberturas são de dois tipos: A Murui ou 'masculina' com o ápice fechado e a Muinane ou 'fêmea' com uma apertura em cima. Nas casas das famílias socialmente importante é o instrumento feito de troncos ocos suspensos em uma andaime, quando batidos produzam notas diferentes e usados para anunciar uma festa, ritual ou a chegada de um visitante. Dormem em redes.

Os Witoto cultivam mais de vinte variedades de mandioca brava e mansa, banana da terra, batata doce, papaias, amendoim, cacau, manga, cana de açúcar, milho, tabaco e coca. Mudam as roças dois em dois anos, mas as roças velhas ainda produzem fruta para coletar. Uma roça fica sem cultivo por dez a vinte anos. Cada família têm seis ou mais roças concorrentes para garantir a subsistência continua. Os homens derrubam e fazem a coivara e as mulheres plantam. Usam tipiti e uma esteira para tirar o veneno da mandioca. As mulheres preparam farinha, tapioca e beiju, e acreditam que a mulher tem qualidades no seu corpo para tirar o veneno da mandioca brava. Os homens caçam com zarabatana e espingarda. Antigamente usam armadilhas e lanças, mas nunca usavam arco e flecha. A caça mais importante é macacos, mas pegam também queixada, anta, capivara, acouti, tatu, veado, preguiça, papagaios, sapos e tartaruga. Pescam com cacuri, redes, lanças, tinguijada e anzóis.

Sociedade: Os Witoto são organizados em patrilinhagens, que moram juntos em uma casa comunal. Casamento é exogâmico entre os linhagens locais e a residencia é patrilocal. A hierarquia das patrilinhagens é determinada pelos mitos ordem de nascimento. Cada tem uma cor, animal ou planta com seu 'totem'. As linhagens subordinadas têm tarefas como coletar lenha, moer as folhas de coca. Estas patrilinhagens formam a aldeia e moram em uma maloca multifamiliar ou duas ou mais, a a população pode ser entre 25 e 500 indivíduos. No médio Caquetá tem 18 aldeias, o Igaraparaná 34, e os Caraparaná e Putumayo 25.

Cada aldeia é autônoma e tem um território que vareia entre 80 e 1.600 quilômetros quadrados. Mas a liderança de um número das aldeias podem se cooperar contra as invasões dos não índios ou para enfrentar outras crises. A liderança passa par o filho ou o irmão conforme o consento os líderes das famílias. No passado as aldeias guerrearam para incorporar cativos novos no grupos e comer os velhos, ou para punir feitiçaria suspeita.

Artesanato:

Religião: Os Witoto acreditam que o cíclico da estações e as atividades é ligado às cerimonias que regulam os relacionamentos entre os humanos e o meio ambiente. O propósito das danças é para encorajar a fertilidade e guardar das doenças. A Dança do Chontaduro em dezembro é para garantir uma boa pesca e crescimento das plantações. Os pajés instruem o povo sobre as plantas e os animais e curando os doentes.

Os Witoto consideram as crianças maleável como 'cestos' de conhecimento, que podem ser moldadas durante a vida. Um ritual para constituir as pessoas na sociedade é níífaikunihi, realizado pouco depois o nascimento da criança. Lambando uma pasta de tabaco, o adulto descobre o nome para a criança conforme os caraterísticos do animal ou planta do clã. Em geral os meninos recebem um nome de um animal e as meninas de uma planta ou flor. Assobiando sobre algum água, o adulto canta contra todos os males que podem afligir a criança, e fala sobre as tarefas comuns conforme o sexo da criança (Sulkin 2012.40). Praticam o infanticídio para gêmeos e bebes deformados.

Cosmovisão: Um mito de origens conta que a arvore primal foi invadida por vermes enviadas pelo Povo da Boca do Rio. As vermes zombavam o povo do rio médio e o infecionou com doenças até o Povo do rio médio se zangaram e atacaram. O Povo de Rio Médio com o auxilio do relampado e o trovão venceu e desde naquele momento foi estabeleceu o patrão cultural do todos os Witoto. Usiyamoi é Deus, Taife ou Apeuhana é o diabo, e os Taifena são os espíritos maus.

Comentário: O SIL trabalhou com esta língua.

Bibliografia:

  • DAI/AMTB 2010, 'Relatório 2010 - Etnias Indígenas do Brasil', Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos -http://instituto.antropos.com.br/
  • Database for Indigenous Culltural Evolution, dice.missouri.edu/docs/south-america-other/Witoto.pdf
  • ECHEVERRI, Juan Alvaro. 1997. The People of the Center of the World: A Study in Culture, History, and Orality in the Columbian Amazon. PhD dissertation, New School of Social Research. Ann Arbor: ProQuest/UMI. (Publication No. AAT 9730219.)
  • EQUIPE da edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil, 2014, 'Witoto', Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/witoto/
  • SIL 2015, Lewis, M. Paul, Gary F. Simons, and Charles D. Fennig (eds.). 2014. Ethnologue: Languages of the World, Eighteenth edition. Dallas, Texas: SIL International. Online version: http://www.ethnologue.com
  • SULKIN, Carlos David Londoño, 2012, People of Substance: An Ethnography of Morality in the Colombian Amazon, Toronto: University of Toronto Press
indigenous peoples of Brazil
Relatorio DAI-AMTB IndigenasDoBrasil
Lista das Etnias Indigenas