David J. Phillips

Autodenominação:

Outros Nomes: Mehinako, Meinacu, Minaco, Meinaco (DAI/AMTB 2010), Mehinaku (Hemming 1987, 2003).Meinaco, Meinacu, Meinaku (Gregor 2002).

População: 227 (DAI/AMTB 2010), 254 (IPEAX 2011), 230 (FUNASA 2006).

Localização: Mato Grosso, no Parque Indígena do Xingu, MT, de 2.642.004 ha, homologada e registrada no CRI e SPU, com 5.982 indígenas (SIASI/SESAI 2012).

Língua: Mehináku. Todos falam a língua. É entendida mutuamente com Waurá (SIL).

História: Os Mahinaku é um do povos do alto rio Xingu, de origem aruak, com os Kalapalo, Yawalipiti, Trumai, Kuikuro e outros. O baixo Xingu eram conhecido no século XVI quando os holandeses construíram um forte. Os jesuítas estabeleceram missões por algum tempo. Os seringueiros tinham penetrado a região e Príncipe Adalbert da Prússia com o jovem Conde Bismarck exploraram uma parte em 1843, mas a vasta área do alto Xingu ainda era desconhecido no século XIX. O antropólogo Karl von den Steinen penetrou a região da cabeceiras do rio Xingu do sul, partindo de Cuiabá, com três alemães e seis brasileiros. Receberam 29 soldados por proteção, mas os soldados voltaram quando eles alcançaram o Xingu. Visitaram uma aldeia de Bakairi, e alguns deles acompanharam a expedição até o rio Batovi onde construíram canoas e desceram rio abaixo por dezessete dias e encontrou com mais Bakairi isolados (Hemming 1987.403).

Os próprios Mehinaku dizem que sempre viviam na bacia do Xingu, na região dos rios Tuatuari e Kurisevo na aldeia Yulutakitsi provavelmente no século XIX. As aldeias históricas se situavam no rio Tuatuari. A aldeia era dividas em metades exogâmicas, que moravam em dois lados opostos de uma praça, cada uma em três fileiras de casas. Uma cerca ou um banco servia de divisor (Gregor 2002).

Em 11 de agosto de 1884 a expedição descobriu um grupo de povos que tinham contato entre si por séculos, trocando produtos, às vezes se casando entre si, e realizando festas de jogos interétnicos. Tinham culturas semelhantes em adornos, corte de cabelo, casas, artesanato, e forma das aldeias. Eram das famílias linguísticas: Os Tupi Kamayurá e Aweti, carib Bakairi, Nahukuá, Kalapalo e Kuikaro e os Aruak Yawalapiti, Waurá e os Mahinaku. Também dois povos de línguas isoladas: os Trumai e Txikão. Mais rio abaixo são os Jê Kayapó e Suyá. Von Steinen observou que os aruak Kustenáu, agora extintos, usavam redes feitas da fibra de buriti que era superior ao algodão. Ele interpretou isso pela ideia que os aruak como o Mahinaku tinham migrado do caribe pelos Guianas subindo o Xingu (Hemming 1987.403-405). No momento da primeira visita do explorador alemão Karl von den Steinen, em 1884, os Mehinako tinham três aldeias separadas, embora uma delas possa ter sido apenas um sítio para estadia na estação seca (uleinejepu) (Gregor 2002).

Von Steinen voltou ao alto Xingu em 1887 e inspirou outros para estudar os indígenas. Em 1898 cinco norte-americanos visitou os Suyá, que os mataram. Um Mehinaku era a testemunha do desastre. No início do século XX os maus efeitos de contato quase acabou com os Bakairi. As expedições de Hermann Meyer em 1895 e 1899 encontraram hostilidade dos índios, depois uma visita pacífica entre os Kamayurá e Trumai foram atacados pelos Suyá. Max Schmidt em 1901 sofreu o roubo da sua bagagem pelos Nahukuá e Aweti e não possuía quase nada para trocar quando chegou aos Mehinaku (Hemming 1987.414).

Ramiro Noronha estabeleceu o Posto Simões Lopes no rio Paranatinga entre os Bakairi em 1920 que serviu de partida para dois oficiais de Rondon que renovaram contato com os Mehinaku entre os outros (Hemming 2003.77). Eles foram deslocados da sua terra antiga e as aldeias pela chegada dos Ikpeng, um povo falante de uma língua carib, que acerca de 1955 atacaram a aldeia. O chefe mehinaku foi acertado por uma flecha. Os irmãos Villas Boas, já na região, persuadiram o povo a abandonar seu território para viver mais próximo do Posto deles. Os Yawalapiti fizeram o mesmo para fugir dos Ikpeng e lhes deram uma casa chamada Jalapapuh, determinado por uma mulher yawalapiti casada com um Mehinaku. Depois isso ele construíram outras aldeias mais próximas do Posto Leonardo.

Diversas epidemias assolaram os povos depois estes contatos; em 1954 uma de sarampo passou pelos povos inclusive os Mehinaku, diminuindo sua população. Eles também sofreram ataques dos Txikão, que queimaram seis malocas da aldeia. Os Mehinaku mudaram a aldeia duas vezes para posições mais securas. O seu chefe foi flechado no peito e levado ao Posto dos Villas Boas, foi operado e salvo. O antropólogo norte-americano Thomas Gregor trabalhou entre os Mehinaku durante os anos 60 e observou como os índios respeitam a privacidade dos outros quando estão resguarda depois o nascimento de filhos (Hemming 2003.160-166).

Estilo da Vida: A aldeia atual dos Mehinaku se chama Uyapiyuku de três horas do Posto Leonardo. A praça é o 'lugar frequentado' (wenekutaku) onde fazem as discussões, decisões e os rituais. Uma parte da praça é usada para as lutas (kapitaku), outra pelos pajés e ainda outra parte é o cemitério. A aldeia é divida pelo 'caminho do sol' do leste ao oeste e também relembra o tempo de ter duas metades exogâmicas. Hoje as casas dos chefes estão colocados frente a frente para relembrar a divisão em metades opostas.

A porta dianteira das casas dê para o centro da praça. A traseira é o lugar para preparar a mandioca e os alimentos. O interior da casa é dividido, primeiro o local para trabalhos manuais, no centro a despensa para guardar a farinha e a cozinha. As famílias nucleares dormem na parte traseira (Gregor 2002).

Os Mehinaku creiam que o homem deve ser vestido para participar na vida pública e os rituais. A tarde os homens se juntam em frente da casa dos homens para se vestir, com pintura corporal de urucu, colores de conjas e dentes de onça e muitas braçadeiras. Fitas largas de fibra estão amarradas nos tornozelos para proteger contra as picadas de cobras e espinhos. O cinto largo de algodão e enfeitado com conjas e contas é importante e os jovens usam um de branco, mas os homens com famílias usam cintos coloridos. Os brincos são de penas vermelhas e amarelas, dados na festa de furar as orelhas. O cocar (etu nãi) é de penas verticais e como os clores são marcas de riqueza. Os organizar da festa organiza que os homens que não têm adornos apropriados podem tomar emprestados dos outros (Gregor.1977.157).

Sociedade: Os Mehinaku vistem ao comércio da cidade Gaúcha do Norte e o município é responsável pelas escolas da aldeia. Os Mehinaku voltam em toda estação seca às aldeias antigas no rio Tuatuari para a coleta de pequi e para fazer sal com o jacinto que cresce em lagos da região. A especialidade no sistema de trocas comerciais entre os povos xinguanos é o sal (cloreto de potássio) e o algodão. Os visitantes vêm para trocar tigelas de madeira, cerâmicas, colares e cintos de conchas por quantidades de sal e algodão (Gregor 2002). Os Mehinaku consideram que possuir cerâmicas, cocares, cintos, espingarda, canoa, cachorro, são sinais de prosperidade e ganha o repeito da comunidade por causa do sua diligência. Quem não trabalha merece ser pobre à vista da aldeia (Gregor 1977.194).

Desde a criação da ATIX (Associação Terra Indígena do Xingu), em 1995, os Mehinako participam das grandes assembleias com todas as demais lideranças do PIX, para discutir a vigilância e a defesa do território, saúde, educação e alternativas econômicas. Os Mehinaku são responsáveis pelo Posto de Vigilância Kurisevo (Gregor 2002).

Artesanato: Sal e algodão. Confeccionam canoas, cocares, bancos de madeira, flautas, arco e flechas, cestos, esteiras (Gregor 1977.195

Religião: Os Mehinaku têm festas para a perfuração de orelhas de meninos, a posse de novo chefes, o luto dos mortos recentes e do começo da estação de chuvas. Os povos do alto Xingu têm assimilados muito das suas culturas. Os cânticos dos Mehinaku são usados por outros inclusive os Kalapalo, que não entendem a língua. As plantações de pequi são o lar dos espíritos, que são os donos do pequi. Durante a festa os espíritos, personificados por membros da comunidade, são trazidos à aldeia, alimentados e mandados de volta às suas plantações com preces por ter mais pequi nos anos que vêm. Há também os espírito zunidor e zunidores são feitos de madeira e colocados na casa dos homens (Gregor 2002). Os pajés se transformam em espíritos (yakapa).

Cosmovisão:Durante as mudanças das aldeias os Mehinaku observaram o caminho do sol, orientando a aldeia ao rio Tuatuari, a direção do sol que nasce sobre o Kurisevo e se põe no Tuatuari. O caminho do porto no Kurisevo é paralelo ao caminho do sol passando em cima da casa dos homens no centro da praça, o banco onde os homens discutam os planos da aldeia está em frente à casa a leste. Os sol continue passando o lugar de banho no rio Tuatuari. Os chefes têm suas casas no lado do caminho. Dentro as outras casa no círculo em redor da praça os donos dormem no lugar mais perto do caminho do sol (Gregor 2002).

Comentário:

Bibliografia:

  • DAI/AMTB 2010, 'Relatório 2010 - Etnias Indígenas do Brasil', Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos -instituto.antropos.com.br.
  • GREGOR, Thomas, 2002, 'Mehinako', Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/mehinako.
  • GREGOR, Thomas, 1977, The Mehinaku: The Dream of Daily Life in a Brazilian Indian Village, Chicago e Londres: University of Chicago Press.
  • HEMMING, John, 1987, Amazon Frontier-The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan.
  • HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.
  • SIL 2014, Lewis, M. Paul, Gary F. Simons, and Charles D. Fennig (eds.). 2014. Ethnologue: Languages of the World, Seventeenth edition. Dallas, Texas: SIL International. Online version: www.ethnologue.com.
indigenous peoples of Brazil
Relatorio DAI-AMTB IndigenasDoBrasil
Lista das Etnias Indigenas