David J. Phillips

Autodenominação: Não é Kaxarari.

Outros Nomes: Caxarari. Em 1910, João Alberto Masô, da comissão de Limites entre o Brasil, Bolivia e Peru usou o nome Cacharary (PIB 2009).

População: 323 (DAI/AMTB 2010), 270 (ISA 2001), da etnia 320 (FUNASA 2009).

Localização: Acre, Rondônia e Amazonia n alto rio Marmelo, afluente do rio Abuna (SIL).

Terra Indígena Kaxarari, AM, RO, de 145.889 ha entre os rios Aiquiri (o Ituxi) e Marmelo, afluente do Aburia, da margem esquerda do Madeira. Homologada e registrada no CRI e SPU 1986 e ampliada em 1992 com 323 Kaxarari (FUNASA 2006).

Língua: Kaxarari (DAI/AMTB 2010). Da família linguística Pano. A educação escolar está em português, mas há um esforço reviver a língua (SIL).

História: No princípio do século XX viviam nas cabeceiras do Igarapé Curequeté, afluente do rio Ituxy, que deságua no rio Purus e banha o município de Lábrea, perto da fronteira com a Bolívia. Mas os velhos se lembram que suas malocas eram situadas em outros rios da região. Sua população na época era estimada em cerca de 2.000. Durante o século eram atacados pelos caucheiros peruvianos e seringueiros brasileiros, que também trouxeram epidemias e reduziu-se a população até 200. Os brancos fizeram 'correrias' para exterminar e expropriar as terras dos índios. Os caucheiros penetraram nas malocas e atiram nos índios. Depois tentaram amansar os 'caboclos' para trabalhar nos seringais, que ficaram explorados na escravidão de dívida.

Na década 60 deslocaram-se ao oeste devido à construção da rodovia BR-364. Vieram os marreteiros pela estrada para os explorar. Os fazendeiros começaram a demarcar terrenos. Então a liderança Kaxarai procuraram a FUNAI em Porto Velho, pedindo a delimitação da sua área indígena. Em 1978 a FUNAI realizou a primeira delimitação da T. I. e fez um censo de 109 índios, mas só uma metade habitavam a área delimitada, outros viviam espalhados pelas margens dos rio Marmelo, Vermelho e Abunã, e na BR-364. Um censo da CPI-ACRE em 1983 contou 153 indivíduos e o CIMI registrou 135 em 1984. Uma parte da terra, Pereiras, de 900 hectares foi excluída da primeira demarcação e a empreiteira Mendes Junior abriu a terra para produzir brita e pedra para a pavimentação da BR-364, que não somente danificou o meio ambiente mas causou o represamento das águas das cabeceiras do rio Azul. Em reposta os Kaxarari ocuparam o acampamento da empresa e parou a produção do brita, que resultou no anexo dos 900 hectares à Terra Indígena e a companhia era obrigada pagar uma indenização e cessar operar.

Estilo da Vida: Vivem em quatro aldeias, Mamelinho, Barrinha, Paxiúba e Pedreira na T. I. Kaxarari que tem acesso pela BR-364. As casas são do estilo regional pau a pigue, paredes de paxiúba e os telhados de duas águas cobertos com palha de babaçu. As roças são pequenas e não são suficientes para a subsistência. Plantam mandioca mansa e brava, milho, cará, batata doce, inhame, café, arroz, feijão, taioba, mamão, banana, abacate, caju, abacaxi (PIB 2009). O trabalho da roça e caça e pescarias competem com o trabalho suplementar sua renda.

Para suplementar eles coletam castanha durante o inverno, janeiro a abril, e cortem seringa no verão, maio a julho, e também no inverno, outubro a dezembro, para vender. Estes são os únicos meios de renda para comprar produtos da sociedade nacional (PIB 2009). Também algumas famílias cortaram madeira para vender aos madeireiros na BR 364, mas a FUNAI reprimiu esta atividade.

Sociedade: Os Kaxarari dividam-se em 18 clãs (txabê) denominados por animais ou plantas. O casamento preferido é com os primos cruzados bilaterais para manter a exogamia clânica. A regra de moradia é uxorilocal. Os genros trabalham para a família do sogro em cortar seringa, coletar castanha, brocar os roçados ou trabalhar nas fazendas ao longo da BR-364. Os filhos recebem os nomes do avô paterno e as filhas nome da avó paterna, assim pertencem ao clã do pai.

Artesanato:

Religião: Os Kaxarari não mais praticam o xamanismo. Antigamente tinham festas com os homens vestidos de palha do olho do buriti. O kupá era uma bebida tomada pelos homens e sob seu efeito o pajé podia ver que tipo de enfermidade agindo no paciente e cura era através do sopro de fumaça de tabaco. 95% se consideram católicos e 2% evangélicos.

Cosmovisão:

Comentário: Wilbur N. Pickering 1973 produziu um vocabulário com português (SIL), e depois escreveu sobre a Critica textual da Bíblia.

Bibliografia:

  • DAI/AMTB 2010, 'Relatório 2010 - Etnias Indígenas do Brasil', Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos -instituto.antropos.com.br.
  • HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.
  • PIB, Equipe de edição da Enciclopédia PIB, 2009, 'Kaxarari', Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxarari.
  • SIL 2014, Lewis, M. Paul, Gary F. Simons, and Charles D. Fennig (eds.). 2014. Ethnologue: Languages of the World, Seventeenth edition. Dallas, Texas: SIL International. Online version: www.ethnologue.com.
indigenous peoples of Brazil
Relatorio DAI-AMTB IndigenasDoBrasil
Lista das Etnias Indigenas