David J Phillips

Autodenominação: Yora

Outros Nomes: Amawaka (DAI/AMTB 2010), Amaguaco, Ameuhaque, Ipitineri e Sayaco.

População: Total 500; Brasil: 220 (SIL 1995 e DAI/AMTB 2010); Peru: 110 falantes da língua, mas 300 da etnia (SIL 2000).

Localização: Os Amahuaca vivem em território brasileiro, no Estado do Acre, nas margens do rio Juruá: Eles são conhecidos como Amawaka no Brasil (SIL). No Peru vivem nos rios Sepahua, Curiuja, Curanja, Alto Ucayali, Inuya, Mapuya, Purus, Aguaytia, Yuruá e Las Piedras nas Regiões de Ucayali e Madre de Dios (SIL).

Língua: Amahuaca, Da família linguística Pano. 330 ainda falam a língua, mas o número está em declínio. Ela é semelhante à Kashinawa e Shipibo-Conibo (SIL). Também falam Espanhol, Yaminhahua e Sharanahua. Global Recordings têm oito gravações bíblicas na língua. SIL produziu porções da Bíblia (1963-1997), apostilhas de leitura, higiene e direitos humanos e um dicionário e gramática. Alfabetismo 30% na segunda língua 50% (SIL). Dialetos: Inuvaken, Viwivakeu.

História:
Os franciscanos se encontraram os Yora no rio Conguari acerca de 1686 e os chamaram Amahuaca. Os Yora estavam ameaçados pelos Piro, Shipibo e Conibo. No ultimas décadas do século XIX, serigueiros os atacaram para escravizá-los no trabalho de recolha da resina. Os Yora sofreram danos consideráveis do ponto de vista demográfico durante esta época da borracha, quando epidemias graves reduziram significativamente sua população. Eles se isolaram de todos os indígenas e dos brancos até 1925. Em 1962 dois grupos de famílias, de 100 pessoas, migraram do rio Curiuja para o Urubamba e um teve contato com a Missão Sepahua, enquanto o outro ficou em Jatitza, perto de Atalaya.

Os Dominicanos começou a Missão na cidade de Sepahua, na delta dos rios Sepahua e Urubamba em 1948. Seu alvo não era somente evangelizar, mas terminar o trafico em crianças sendo vendidos com escravos para trabalhar nas fazendas e ranchas. Os missionários conseguiram acabar com este abuso em 1957 e as crianças regatadas assistiram a escola dos padres. A Missão continua a contatar os indígenas, para não mais ser isolados e tenta tirar o medo dos índios e facilitar um relacionamento bem eficiente para eles (Roach 2003). Contatos violentos aconteceram em 1974 e 1984. Em 1984 SIL teve contato em Sepahua e conduziu um programa de vacinação contra gripe para os Nahua Yora.

Estes povos depois da experiencia de contato com os brancos no passado escolheram se isolar na floresta. Porém representantes de quatro povos, Mashco-Piros, Amahuaca, Yaminahuas, e Yora encontram com ambientalistas em 2000 para reclamar que o governo peruviano está pronto para conceder direitos de tirar madeira às companhias madeireiras e assim destruir o ameio ambiente (Knight 2000). A Federação Nativa de Madre de Dios (FENAMAD) fez campanha diretamente com o governo e o Banco Mundial e o Banco Inter-Americano financiaram um projeto de demarcar zonas indígenas (Knight 2000).

Em abril 2002, o governo do Peru estabeleceu um Território Indígena de 809,400 hectares na região de Madre de Dios para a proteção de povos isolados, os Yora, Yine e Amahuaca (Roach 2003). São caçadores colectores que migram pela floresta procurando os ovos de tartarugas na praias na época da seca e castanhas e frutos na época da chuva. Entretanto é difícil manter os recursos para os índios devido às invasões do brancos. A Fundação Gordon e Betty Moore de Washington DC produziu uma serie de programas de televisão sobre a situação destes povos.

Amazon Watch diz que as companhias de madeireiros e energia tentam contatar os povos isolados para integrá-los na sociedade nacional e assim acessar os recursos naturais na reserva para exploração (Roach 2003). A pressão atual é dos madeireiros extraindo o mogno; suas penetrações dentro do Território têm provocado encontros violentos e a possibilidade de epídemas entre os indígenas. Um grupo de companhias de petróleo receberam um contrato para extrair gás natural e o projeto está sendo realizado na bacia do rio Urubamba. Empresas de exploração de petróleo e gás foram proibidas de operarem numa reserva de índios isolados localizada na remota Amazônia peruana. De acordo com a ONG britânica Survival International, a decisão foi anunciada esta manhã em Londres pela Perupetro, a empresa estatal responsável pela promoção da exploração de petróleo e gás no Peru (Machado 21/05/2010)

Estilo da Vida:
Vivem em aldeias de acerca de 45 pessoas em famílias estendidas. As aldeias mudam de lugar cada ano para manter a produção das roças e a segurança dos inimigos. A base de sustento é suas roças, a caça e a pesca. O chefe da aldeia, o homem mais velho é considerado o dono da terra, mas cada família é dono do seu jardim enquanto está em cultivação. As arvores frutíferas pertencem a quem as plantou (Dole). Cultivam mandioca, milho, inhame, banana, feijão, abacaxi apa sachap, arroz, amendoim e algodão. Alguns produtos são vendido em uma base casual. O milho é guardado em cima de um jirau em uma casa separada; é usado torrado e moído em pó. O arco e flechas são usado para a caça e a pesca. Os animais caçados são diversos macaco, veado, porco do mato, anta, capivara e tartaruga. Usam cachorros para achar a presa.

Cada família nuclear ocupa uma casa no meio dos jardins. A construção das casa é rectangular e aberta sem paredes, o telhado coberto de palha de yarina, quase chegando até o chão (Dole). Os homens se sentam em bancos e as mulheres em esteiras.

Os homens caçam e pescam, cortam as roças e plantam mandioca, banana e tabaco e fabricam cestos e ferramenta. As mulheres plantam, colhem e carregam a maior parte a colheita, procuram a lenha e trazem a água, prepara a carne da caça, cozinham e cuidam das crianças. Elas fiam e tecem, fazem cerâmica e a maior parte da cestaria.

Artesanato:
Machado e facas de aço substituam os antigos machados e bastões de madeira. Casco de marisco, bambu e dentes de animais ainda estão usados como ferramenta. Fabricam aturás rectangulares e folhas de palmeira e cestros rectangulares com tampa de lascas de bambu. O barro dos barrancos dos rios é usado para criar potes simples de diversos tamanhos e formas. Algodão é usado em tecer redes, saias, bolsas e linga para carregar bebe. Jangada de troncos de balsa são usados nas cabeceiras, aonde as canoas não são práticas. Canoas de cedro são usados no rios Purus, Sepahua e Ucayali (Dole).

Pintam desenhos geométricos são em vermelho e preto nos seus corpos e nas faixas usadas nas cabeças. A música é limitada para flautas de três notas (Dole).

Sociedade:
Uma parte importante deste povo ainda reside afastado da sociedade nacional. O Yora foi dividido em clãs chamados Indow, Rondowo, Shaawo, Kutinawa shawanawa e Na'iwo. As aldeias são constituídos por membros de diferentes grupos, embora alguns possam predominar em cada assentamento. Cada assentamento é autônomo, o homem mais velho é o líder. Amizade fora da aldeia é limitada aos povos que falam a mesma língua, chamados nokîngaiwo (nossas parentes). Povos de cultura semelhante são yora ou hondiwo (povo, humanidade) e alheios e outros povos de cultura diferente são inimigos potenciais (nawa ou naa) (Dole). Os Amahuaca desconfiam e temem alheios, especialmente os Yaminahua, Cashinahua e Culina.

Os Yora praticam o casamento entre aldeias de primos cruzados bilaterais, que dizer o homem deve casar com a filha do irmão da mãe ou da irmã do pai. As crianças são prometidas em casamento quando ainda muito novas. Depois de completar um tempo para 'pagar' a dote por serviço e presentes de ferramenta ao sogro, a regra é residencia virilocal, o casal mora com os pais do marido. Eles limitam o tamanho da família com contraceptivos, aborto, infanticídio e entregar para criação (Dole). As crianças recebem pouca disciplina até ser adolescentes, quando recebem instrução na caça ou no trabalho domestico. O rapaz tem que se provar por construir uma casa, ter sucesso na caça e limpar uma roça. Ele está encorajado sonhar receber instrução de um animal alter ego.

A etnia está em fase de desintegração devida ao casamento com outras etnias, e encaram a própria língua negativamente (SIL). A maior comunidade Yora é em Puerto Varadero, na fronteira entre Peru e Brasil. Cinco escolas primárias com professores existem.

Religião:
No tempo da colheitas realizam festas, convidando os próximos assentimentos e uma sopa é servida. Os homens tomam ayahuasca, do cipó Banisteriopsis caapi, chamado também Capi ou Yage, para comunicar com os ancestrais e os espíritos da onças. Cantam a noite toda (Dole).

Os pajés (hawaai) usam o ayahuasca para enviar seu espirito de onça para buscar a alma de um doente. Para ajudar o crescimento dos filhos o suco de fruto de genipa ou as folhas de arbustos fortes são esfregados nos corpos e sopa vomitada sobre eles.

Os defuntos são enterrados no chão provisoriamente para esperar a chegada dos parentes de outas aldeias, e depois são queimados. As cinzas são enterradas e fragmentos de osso e dentes são moídos e tomado em uma sopa pelo parente mais próximo. Talvez este costume seja a origem da ideia que os Amahuaca praticaram endo-antropofagia. Os mortos são considerados ir para os céu perto do sol, aonde a caça é fácil e podem visitar outros ancestrais (Dole).

Cosmovisão:
Os Amahuaca crêem que os indígenas eram criados animais e que eles mesmos originaram no xopaan, o fruto de uma begônia. O universo é habitado por espíritos (yoshin). Os mais perigosos são dos predadores. As estrelas são os espíritos de pessoas que moravam na terra. Os espíritos dos ancestrais podem afligir os vivos com epidemias (Dole).

Seu herói principal é Rantanga que é associado com os sol, é a fonte do fogo, plantas domesticas e machados de pedra. Ele também criou os animais. Seus mitos contam de dilúvios, terramotos, genocídios e uma escada de bambu que alcança o céu. Gémeos e o sol e lua como irmãos incestos. Deformidades congênitas são consideradas o resultado de espíritos incubes (Dole).

Comentário: Conforme a revista antiga de WEC International Kenneth Grubb, pesquisador da antiga Missão Coração da Amazônia (ramo da WEC) encontrou com alguns do Amahuaca no rio Juruá em 1925. A Missão Pioneers estabeleceu um posto no rio Alto Purus. Iviche, um indígena conta que quando os missionários (não especifica quais) congregaram os índios em um só lugar e eles usavam roupas, as roupas transmitiram as doenças. Os índios ficaram na Missão 4 ou 5 anos e depois os anciões começaram morrer (Roach 2003).

Bibliografia:

indigenous peoples of Brazil
Relatorio DAI-AMTB IndigenasDoBrasil
Lista das Etnias Indigenas